
Uma megaoperação policial deflagrada em março de 2026 revelou a atuação de um esquema criminoso estruturado na região da Chapada Diamantina. Batizada de Operação Midas, a ação desarticulou uma organização interestadual que utilizava fazendas no município de João Dourado, na região de Irecê, para o cultivo de maconha com alto teor de THC, substância responsável pelos efeitos psicoativos da droga.
De acordo com as investigações, o grupo mantinha ao menos três propriedades rurais com estrutura avançada e sistemas de irrigação, o que permitia até três colheitas por ano, ampliando significativamente a produção e os lucros da quadrilha.
Durante as diligências, os agentes localizaram em uma das fazendas um laboratório clandestino equipado com máquinas importadas, utilizado na produção de derivados mais concentrados e de maior valor no mercado ilegal, como haxixe e outras substâncias de alta potência.
A apuração também identificou a rota de distribuição da droga, que era enviada para o Rio de Janeiro, onde abastecia o tráfico em larga escala. Em contrapartida, o grupo recebia dinheiro, armas e outros entorpecentes, fortalecendo a atuação interestadual da organização.
As investigações apontam ainda a utilização de contas bancárias em nome de terceiros para movimentação financeira e lavagem de dinheiro. Há suspeita de que parte das ordens do grupo tenha sido coordenada a partir do sistema prisional.
Ao todo, estão sendo cumpridos 33 mandados judiciais, sendo 20 mandados de busca e apreensão e 13 de prisão, nos estados da Bahia (Camacan, Itabuna, Salvador, Irecê, Luís Eduardo Magalhães, Serrinha, Senhor do Bonfim e Andorinha), de São Paulo, do Rio de Janeiro, de Minas Gerais (Unaí), de Pernambuco (Petrolina) e de Sergipe (Aracaju). Mais de 15 toneladas de drogas foram destruídas, além da apreensão e incineração de máquinas agrícolas e equipamentos. A Justiça também determinou o bloqueio de bens e ativos ligados aos investigados.
As apurações seguem em andamento para identificar todos os envolvidos e detalhar a rede de financiamento e distribuição do esquema criminoso. A operação acende um alerta para o avanço do tráfico de drogas no interior da Bahia, que tem se consolidado como rota estratégica para o crime organizado.




